BÍBLIA NOVA ALMEIDA ATUALIZADA (NAA)

Um pouco de história

Deus fala conosco numa língua que podemos entender. Muita gente não valoriza o fato de termos a Bíblia em português.

Há toda uma história que envolve as traduções das Escrituras Sagradas. Podemos dizer que é uma história que começa com os “tabletes” e que chega hoje aos “tablets”.

A primeira tradução das Escrituras de que temos notícia está no livro de Neemias 8.8 que diz: “Eles iam lendo o Livro da Lei e traduzindo; e davam explicações para que o povo entendesse o que era lido” (Nova Tradução na Linguagem de Hoje – NTLH). Destacamos os três verbos do texto: ler, traduzir e entender. Deus nos deu as Escrituras para serem lidas, traduzidas e entendidas.

Deus nos deu as Escrituras para serem lidas

Há muita gente que tem a Bíblia, mas não a lê. Houve tempo em que não havia Bíblias para serem lidas e as pessoas tinham que viajar grandes distâncias para se conseguir uma Bíblia. Uma menina de nome Mary Jones, na Inglaterra, no final do século XVIII, trabalhou durante 6 anos, guardando todo dinheiro que conseguia para poder comprar sua Bíblia. Esta menina teve papel importante na criação da primeira sociedade bíblica do mundo: a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira, fundada em 1804.

Com a chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil, houve a abertura dos portos brasileiros. Assim, chegou ao Rio de Janeiro o primeiro carregamento das Escrituras. Eram 12.000 Novos Testamentos em português, impressos pela Sociedade Bíblica Britânica.

A partir da abertura dos portos brasileiros, passou a trabalhar aqui, além da Sociedade Britânica e Estrangeira, a Sociedade Bíblica Americana. Ambas se uniram para a criação, em 1948, da Sociedade Bíblica do Brasil. Por causa da necessidade de impressão de Bíblias, em 1995, foi inaugurada a Gráfica da Bíblia, em Barueri, SP. Houve uma razão para isso. Em 1990, ultrapassamos a marca de um milhão de Bíblias distribuídas no Brasil. Não havia gráfica para imprimir tanta Bíblia. A instabilidade da nossa moeda inviabilizava a importação.

Dois anos depois da inauguração da Gráfica da Bíblia, assumimos o primeiro lugar em distribuição de Bíblias em todo o mundo, posição que mantemos até hoje. Em 2015, a distribuição no Brasil alcançou mais de 8 milhões de Bíblias, o que representou um quarto de todas as Bíblias distribuídas no mundo pelas 150 sociedades bíblicas existentes.

Deus nos deu as Escrituras para serem traduzidas

O texto de Neemias diz que leram e traduziram. Por que Esdras teve que traduzir se o povo era hebreu e a Bíblia estava em Hebraico? O povo hebreu tinha passado 70 anos no cativeiro babilônico. Cinco gerações é tempo mais que suficiente para se perder a tradição, a língua, a cultura, etc.

As gerações que passaram no exílio foram grandemente influenciadas pelas culturas suméria e caldaica, mas não perderam suas origens judaicas, graças ao papel fundamental da mulher israelita responsável pela educação das crianças até a adolescência. No exílio, os judeus passaram a falar o aramaico. Foi por isso que houve a necessidade da tradução do hebraico, linguagem em que estava escrito o Livro da Lei, para o aramaico.

Outras traduções vieram depois para o grego, para o latim, para o inglês, para o alemão e, é claro, a tradução para o português, feita por João Ferreira de Almeida.

Ele converteu na Igreja Reformada Holandesa, aos doze anos de idade. Não se sabe como foi parar em Batávia, hoje Jacarta, capital da Indonésia. Uma das biografias diz que, aos 14 anos, começou a traduzir o Novo Testamento para o português a partir do texto em latim. Terminou a tradução do Novo Testamento aos 16 anos. Menos de 20 anos depois, já tinha feito uma revisão, a partir dos textos em grego e em hebraico. Esta tradução só foi publicada 50 anos depois por falta de gráfica e de papel.

Nossa tradução Revista e Atualizada, só surgiu 200 anos depois. Foi terminada em 1956 e sua publicação completa só ocorreu em 1959, por falta de papel Bíblia na época. 25 anos depois, foi feita uma revisão desta tradução.

Deus nos deu as Escrituras para serem entendidas

A Nova Almeida Atualizada

Em 2017, foi lançada a Nova Almeida Atualizada. Ela é uma revisão mais ampla da Revista e Atualizada. As Sociedades Bíblicas Unidas recomendam que sempre seja feita uma revisão das traduções existentes a cada 25 anos no máximo. Há uma razão para isso: os idiomas são dinâmicos e passam por mudanças que precisam ser observadas. Uma tradução, por mais excelente que seja, precisa ser melhorada, para acompanhar a evolução dos idiomas. Uma revisão se faz necessária continuamente, pois nossa linguagem não é a mesma de 60 anos atrás.

Os diálogos sobre uma nova revisão da Revista Atualizada começaram em 2003. Uma reunião com lideranças das igrejas ocorreu em 15/10/2012. Nesta reunião, houve unanimidade sobre a necessidade de uma revisão.

A grande preocupação foi conservar um texto clássico numa linguagem atual e de fácil compreensão. A revisão teve como objetivo fornecer um texto em que o leitor pudesse entender sem recorrer ao dicionário.

Para usar uma expressão dos revisores: “A Almeida Revista e Atualizada é uma estrada muito bem construída, mas que apresenta algumas saliências que precisavam ser niveladas”. O espírito da nova revisão foi dar continuidade ao que tinha sido feito em meados do século passado, apresentando ao povo brasileiro um texto “condizente com o texto original e a língua portuguesa atualizada”.

Tratou-se de retificar lapsos (a partir de meticulosa leitura do original); de substituir termos que requeriam consultas ao dicionário, sem mexer nos termos mais técnicos, como redenção, propiciação, etc. Passou a usar o “você” e “vocês”, exceto nas orações. Houve uma preocupação especial em conservar textos consagrados. Além de soar bem, precisou ser compreensível.

Além disso, houve também preocupação com a cacofonia, levando-se em conta que o brasileiro é malicioso. Por exemplo, a expressão “Esperai-nos aqui, até que tornemos a vós” (Êx 24.14) soa como “avós”. Para evitar essa cacofonia, na Almeida Atualizada, ficou assim: “Esperai-nos aqui até que voltemos a vós outros”. E, na Nova Almeida, está da seguinte maneira: “Esperem aqui até que voltemos para junto de vocês”.

Mais ainda, expressões antigas que deixaram de ser usadas foram substituídas por expressões utilizadas atualmente. Exemplos: “tas darei”, “to darei”, “outrem”, “escarnecedor”, “chasqueais” (Is 57.4), “aborrecer” (no sentido de odiar), “errar” (no sentido de perder o rumo), “arder” (para queimar), etc.

Mesóclises também foram substituídas. Exemplo: “conservar-lhes-emos” (Js 9.20).

O mesmo aconteceu com a ordem inversa. Exemplo: “disse Moisés” foi substituído pela ordem direta: “Moisés disse”.

Resumindo, a Nova Almeida é: um texto adequado para uso no culto; um texto com sonoridade para leitura em voz alta; um texto feito a partir de meticulosa leitura dos originais grego e hebraico; um texto de acordo com a língua portuguesa atual. Finalmente, a Nova Almeida aperfeiçoa uma tradução que já era excelente.

Rev. Assir Pereira
Ministro Jubilado da IPI do Brasil
Presidente da Fundação Eduardo Carlos Pereira
Presidente da Sociedade Bíblica do Brasil

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