GAFANHOTOS INFERNAIS (AP 9.1-12)

Coisas terríveis estão acontecendo em nosso mundo: catástrofes, terremotos, fome, epidemias, desespero, angústia, guerras, conflitos, desentendimentos entre as nações. Por que tantas tragédias? Por que os seres humanos estão cada vez mais bestializados? Por que tanta maldade?

O texto do Apocalipse dá algumas pistas para entendermos a ferocidade de nossos dias. João vê uma estrela caída do céu. Ele mesmo narra: “E vi uma estrela caída do céu na terra. E foi lhe dada a chave do poço do abismo” (Ap 9.2). O anjo caído do céu é Lúcifer.

O mesmo referido por Isaías (Is 14.12) quando pergunta: “Como caíste do céu ó estrela da manhã, filho da alva! Como foste lançado por terra tu que debilitava as nações?” A ela se refere Jesus quando comenta com os discípulos: “Eu via a satanás como um raio, que caía dos céus” (Lc 10.18). Satanás está vivo e solto.

Satanás recebe as chaves do abismo (inferno antes do juízo) e abre-o soltando de lá milhões incontáveis de gafanhotos, animais infernais que saem em revoada para destruir tudo que encontram pela frente. Essas forças espirituais do mal se infiltram nos lares, nas escolas, nas cidades, no campo, na vida das pessoas, na política, na economia, nas instituições.

Há um espírito gerador de conflitos entre as pessoas e entre as nações. As hostes malignas capitaneadas pelo destruidor são esses gafanhotos que saem do abismo e provocam tantas tragédias e estragos. Mas quem são esses gafanhotos infernais?

São espíritos de destruição

É difícil imaginar uma praga mais terrível do que a dos gafanhotos. Esses gafanhotos infernais são muito mais perigosos e mais devastadores do que os gafanhotos das plantações. Esses gafanhotos infernais vêm para roubar, matar e destruir. Destroem  vidas, arruínam lares, provocam desavenças. São destruidores da paz, da alegria e do amor.

São espíritos de dominação

Esses demônios infernais exercem domínio sobre as pessoas. São reis, ditadores, presidentes tiranos, cruéis. Os filhos da desobediência, a quem eles dominam, vivem escravizados por eles. Eles controlam a vida daqueles que vivem na mentira, pois o seu comandante é o pai da mentira. Eles exercem domínio sobre aqueles que vivem com o coração azedo, cheio de mágoa e ressentimento.

São espíritos inteligentes

Esses espíritos infernais possuem uma inteligência sobrenatural. Eles arquitetam planos, criam ciladas e usam estratégias de todos os tipos para apanhar os incautos. Vasculham a vida das pessoas. São detetives espirituais invisíveis, que espreitam a caminhada das pessoas. Escutam as nossas palavras. Observam as nossas ações. Armam ciladas. Usam de sutilezas. Inventam filosofias. Criam religiões. Torcem as verdades espirituais. Aí estão milhões de gafanhotos infernais invadindo a imprensa, as universidades, a TV e até os púlpitos. Usam a bandeira da cultura, do conhecimento, das ciências, das artes. Aparentemente inofensivos, carregam o veneno letal da destruição em suas entranhas.

São espíritos de sensualidade

Tinham cabelo como cabelos de mulheres” (Ap 9.8). Esses espíritos infernais não se manifestam como seres horripilantes. Eles vêm emoldurados por rara beleza. Aparecem com aspecto encantador que enche os olhos e seduz o coração. São dissimuladores. Aparecem com voz meiga. Despejam no mundo uma torrente de sensualidade. Têm levado o nosso mundo ao caos moral, ao colapso espiritual, à destruição dos valores. Vivemos numa sociedade hedonista que vive para a busca imediata do prazer. Para nosso mundo tudo é encarado como normal. Nada é proibido. Tudo é permitido. Orgia, pornografia, obscenidade e decadência moral dominam sobre qualquer resistência.

São espíritos de violência

Esses gafanhotos infernais são especializados em matar e destruir. Estão por trás das guerras sangrentas de nosso tempo. São eles que movem as guerras tribais no continente africano. São eles que mantêm a máquina de destruição que aniquila judeus e palestinos. São eles que inspiram o investimento colossal em armas para incentivar o levantamento de nação contra nação. São os gafanhotos infernais varrendo a face da terra.

São espíritos inatingíveis

Tinham couraças, como couraças de ferro” (Ap 9.9). Esses gafanhotos infernais são seres sobrenaturais, inatingíveis. As armas humanas nada podem contra eles. Para lutar contra essas hostes precisamos de armas espirituais. Nesse campo de guerra só sairemos vitoriosos se entrarmos revestidos com o poder de Deus.

São espíritos de obscuridade

Com a fumaceira saída do abismo, obscureceu-se o sol e o ar” (Ap 9.2). O diabo é das trevas. Não suporta a luz. Seus agentes atuam onde há fumaça. A luz é toldada. O sol não brilha. Imperam as trevas e a escuridão. É por isso que precisamos andar na luz. Deus é luz. Quem anda na luz não tropeça, sabe para onde vai, não é enredado por esses gafanhotos infernais.

A missão dos gafanhotos:

Atormentar

Esses demônios saídos do abismo agem com grandes atrocidades. A consequência da ação deles é tornar a vida humana um pesadelo. Estão sempre engenhando formas e criando artimanhas para roubar dos seres humanos qualquer perspectiva de felicidade. Não há paz na terra. O mundo todo está em conflito, na expressão de Jesus: “O mundo está posto no maligno” (1Jo 5.19). As pessoas hoje, na verdade, andam muito atormentadas. Há uma espécie de mancha na alma humana. Muitos se refugiam na bebida e nas drogas. Perdem honra, nome, dignidade, bens, família.

Causar dano

Esses seres infernais receberam poder para causar danos. Quanta angústia! Quantas pessoas com a esperança morta! Abadom é ladrão. Ele só tira. Onde ele está, é prejuízo na certa. Onde ele vence, o que sobra é vergonha. Ele se alegra com a desgraça dos outros. A morte dos outros é a sua vida. O tormento causado por ele é tão grande que as pessoas buscam a morte a fim de encontrar alívio para a agonia, mas nem a morte lhes dá alívio. Pior que qualquer ferida é desejar morrer e não poder fazê-lo. Na expressão de Kierkegaard: “O tormento do desespero é exatamente esse: não ser capaz de morrer”.

A situação dos filhos de Deus

Todavia, esses gafanhotos infernais não têm poder sobre aqueles que receberam o selo de Deus: “E foi-lhe dito que não causassem dano à erva da terra, nem a qualquer coisa verde, nem a árvore alguma, e tão somente aos homens que não têm o selo de Deus sobre suas frontes” (Ap 9.4). Aquele que busca abrigo debaixo das asas do Altíssimo está protegido contra o ataque dessa horda infernal. Ainda que o inferno vomite toda sua maldade contra os filhos de Deus e os persiga com toda sua fúria, nenhum mal lhes sucederá.

Que selo é esse?

Esse selo protetor é o selo do Espírito Santo. No momento em que a pessoa ouve a mensagem do evangelho e Deus lhe abre o coração para a fé verdadeira, essa pessoa nasce de novo e é selada como propriedade de Deus. Ela se torna na menina dos olhos de Deus. Os gafanhotos infernais não têm mais poder sobre ela. Na expressão belíssima de Paulo: “Tendo nele crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa, o qual é o penhor de nossa herança até o resgate final” (Ef 1.13-14).

Como se recebe esse selo?

A pessoa precisa aceitar a gloriosa mensagem do que Cristo fez na cruz. Na cruz, Jesus levou a crise que nos atormenta. Levou sobre si nossas chagas, feridas, maldade, culpa. Sendo Deus, se fez humano. Sendo Rei, se fez servo. Santo, se fez pecado. Bendito, se fez maldito. Pagou o preço da nossa salvação.
Coloque sua confiança em Jesus! Creia nele como seu Senhor e Salvador! Ele esmagou a cabeça da serpente! Triunfou sobre as potestades do mal! Desbaratou os poderes do inferno!

Creia em Jesus! Creia e você será livre! Creia e você terá paz! Creia e você será vitorioso! Creia e você será selado pelo Espírito Santo!

Rev. Abival Pires da Silveira
Pastor emérito da 1ª IPI de São Paulo, SP, falecido no dia 1º/9/2019

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

O ESTANDARTE