O ESPÍRITO SANTO E A UNIDADE DA FAMÍLIA (Jl 2.28-29)

Em meio à sociedade atual, muitas discussões há a respeito da concepção familiar em sua formação, em seu modelo e seu papel diante de tudo. Família que é a construção de um grupo social a partir de duas pessoas diferentes que se unem para partilhar a vida. Pessoas diferentes que se unem para viver em unidade. Como isso dará certo? Como água e óleo podem se tornar unidade? Como, mesmo diante das diferenças, podemos ser família? Há um fato para o qual precisamos atentar mesmo diante da nossa dificuldade: viver em família nos tira de um individualismo latente em nossa natureza carnal, que nos leva a pensar em nós e só em nós mesmos. Viver em família nos leva a sermos mais humanos, a viver a unidade que reflete a imagem de Deus. Deus é trinitário, mas, ao mesmo tempo, é um só e estende relacionamento de três em um a cada um de nós, em seu amor imensurável através da família. A família é instituição de Deus para ser bênção à humanidade.

E olha como isso acontece em nossa fé. Um Deus que se dá a conhecer a cada um de nós em sua Trindade através do Filho que, por sua vez, se torna ser humano para que possamos conhecer o desígnio de sua salvação. O Filho que intermedia entre Deus e o ser humano para que possamos ser introduzidos na condição de filhos, nos devolvendo a imagem perdida com o pecado. Um Deus, Pai e Filho, que nos dá o seu Espirito Santo para tornar possível o nosso discernimento em conhecê-lo. É aqui que se explica onde as diferenças não nos impedem de viver a unidade conquistada para nós. Como diz Luís Ladaria: “A unidade trinitária é o vínculo mais radical que se possa imaginar, cuja essência é o amor que tende a comunicar-se ao outro gratuitamente, constituindo comunhão em unidade e distinção”.

Não existiria um eu sem família. Como diz J. Moltmann: “É um erro pensar em um eu sem o tu, pois o eu implica em relação. Não existe personalidade sem relação”. Ou seja, nós existimos em nossas relações familiares, onde o Espirito Santo nos torna nós. Existirmos em família não é algo que se deve à nossa perfeição, mas à perfeição da presença do Espirito Santo em nós, que nos dá a unidade por meio de dois elementos, que são a diferença e complementariedade. O crescimento de qualquer organismo se dá com a diferença, que precisa nos levar a reconhecer a necessidade da complementariedade, que nos faz reconhecer a nossa dependência. O Espirito Santo em nossa unidade familiar nos leva a perceber o quanto necessitamos viver em comunhão com Deus e que isso afetará diretamente nosso relacionamento com a família.

É isso que o livro do profeta Joel traz para nós, usando a linguagem da igreja como família cujos membros têm suas vidas direcionadas por Deus. Ele se compadece de nós, envia-nos seu Filho e faz-nos permanecer em seu Espirito. O texto diz que, quando o povo se volta para Deus, Deus se volta para ele. Quando Deus se levanta em favor do seu povo, os inimigos caem por terra. O problema das famílias hoje não são as diferenças entre seus membros, mas, sim, o distanciamento de Deus, do seu Espirito Santo. Ele é quem nos ajuda manter a unidade necessária. Uma família guiada pela presença do Espirito Santo tem orações respondidas, castigos removidos e bênçãos restauradas.  A unidade da família através do Espirito Santo nos traz restauração do que se perdeu e inaugura em nossa vida um relacionamento com o próprio Deus. Essa promessa do profeta Joel cumpriu-se em Jesus. Estamos vivendo os últimos dias, que tiveram seu início com o ministério terreno de Jesus e que se findarão com o Dia do Senhor.

A unidade de nossa família depende única e exclusivamente da presença do Espirito Santo. É uma promessa segura, abundante, abrangente e sinaliza grandes intervenções de Deus. A presença quebra barreiras e preconceitos entre os de nossa própria casa e nos aproxima de Deus e das pessoas. Há promessas para nós, para nossos filhos e para aqueles ao quais o Senhor ainda há de chamar. Por isso, precisamos, como família, buscar a presença do Espirito Santo, que nos leva à comunhão com Deus, à comunicação a respeito da sua Palavra e à permanência nos seus caminhos.

E a bênção da presença do Espirito em nossa casa não é somente para o marido, mas também para a esposa. Não há discriminação aqui. Não há disputas; há harmonia. Todos são revestidos de poder para falar em nome de Deus. Ele torna sábio o jovem e cheio de vigor o velho. A obra do Senhor em nossa família não avança com base em nossa sabedoria e força, mas no poder do seu Espirito em nós, que nos faz um em nossa unidade familiar. Deus abra os nossos olhos e ajude-nos a buscar a sua presença nos nossos lares a cada dia.

Revª. Jacqueline Bueno
Pastora da 1ª IPI de Luziânia, GO
Secretária da Família da IPIB

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