A REVELAÇÃO E A BÍBLIA

A partir da edição de fevereiro, passamos a publicar, por decisão do Conselho Editorial de O Estandarte, os textos do e-book que se encontra no site da IPI do Brasil, intitulado “A Coragem de Confessar”.


Toda a Escritura Sagrada é inspirada por Deus e é útil para ensinar a verdade, condenar o erro, corrigir as faltas e ensinar a maneira certa de viver” (2Tm 3.36).

Segundo a Confissão de Fé de Westminster (CFW), a revelação foi preservada na Bíblia. A CFW trata da Bíblia no seu primeiro capítulo, com dez parágrafos ou artigos. Vamos fazer um comentário geral ao conteúdo desses artigos.

O conteúdo da Bíblia

Qual é o conteúdo da Bíblia? É difícil responder em poucas palavras. O conteúdo da Bíblia envolve vários séculos de história. Como resumir tudo em poucas palavras? É para isso que serve a CFW. Ela responde afirmando que o conteúdo da Bíblia é “conhecimento de Deus e da sua vontade necessários para a salvação” (CFW 1.1).
A partir dessa colocação, podemos dizer que:

a) Existe um tipo específico de conhecimento na Bíblia

Os livros de matemática ensinam matemática. Eles não servem para o estudo da geografia. O mesmo ocorre com a Bíblia. Ela não serve para nos ensinar medicina, astronomia ou filosofia. A Bíblia serve para transmitir “o conhecimento de Deus e da sua vontade necessários para a salvação”. É claro que a Bíblia narra a história de Israel e da igreja. Todavia, o objetivo da Bíblia não é o de ensinar história. A Bíblia só conta histórias para transmitir o conhecimento necessário para a salvação. (Leia o texto de João 20.30-31.)

b) O conteúdo da Bíblia não é somente teórico

Na Bíblia, temos o conhecimento para ser praticado a fim de satisfazer a vontade de Deus. Foi o que Jesus Cristo deixou claro no fi nal do Sermão do Monte, quando disse: “Quem ouve as minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha” (Mt 7.24). A CFW declara que os livros do Antigo e do Novo Testamento foram “todos dados por inspiração de Deus para serem regra de fé e de prática” (CFW 1.2).

c) O conteúdo da Bíblia é o mais importante para a nossa vida

A leitura de qualquer bom livro é sempre útil e o “saber não ocupa lugar”. Mas a Bíblia é superior a todos os outros livros. Ela trata daquele conhecimento que é fundamental para todos: a salvação.

A autoridade da Bíblia

A CFW enfatiza a autoridade da Bíblia. Em cada um de seus parágrafos, ela traz sempre uma série enorme de referências bíblicas. São versículos que servem de fundamento para o texto da CFW. Em outras palavras, a CFW reconhece e proclama a autoridade suprema das Escrituras. Ninguém possui autoridade superior ou igual à da Bíblia. Ninguém pode modificar o que está escrito na Bíblia. Como diz a CFW, “à Escritura nada se acrescentará em tempo algum, nem por novas revelações do Espírito, nem por tradição dos homens” (CFW 1.6).

Por que a Bíblia possui tanta autoridade? Será que a Bíblia foi escrita por pessoas perfeitas? Será que a Bíblia caiu pronta do céu e, por isso, é superior aos outros livros?

Ora, as pessoas que escreveram a Bíblia também eram pecadoras. Por exemplo, Davi, o autor de belíssimos salmos, cometeu adultério e assassinato (2Sm 11.1-25). Portanto, a autoridade da Bíblia não se fundamenta nos seus autores. A Bíblia também não caiu pronta dos céus. Ela foi redigida por seres humanos. Segundo a CFW, a autoridade da Bíblia repousa em Deus, seu verdadeiro autor (CFW 1.4). Foram pessoas imperfeitas que a escreveram, mas inspiradas por Deus.

A Bíblia e o Espírito Santo

Ao tratar das Escrituras, a CFW destaca a obra do Espírito Santo. Dois importantes pontos devem ser aqui destacados:

a) O Espírito Santo faz crer

A CFW afirma que a autoridade suprema das Escrituras é atestada pela “operação interna” do Espírito Santo em nós (CFW 1.5). Quando lemos a Bíblia, somos persuadidos de que sua mensagem é verdadeira e tem autoridade divina por causa da atuação do Espírito Santo. Somente o Espírito Santo, atuando nas pessoas mediante a leitura e pregação das Escrituras, leva ao arrependimento e à fé.

b) O Espírito Santo ilumina

A CFW diz: “Reconhecemos ser necessária a íntima iluminação do Espírito Santo para a salvadora compreensão das coisas reveladas na Palavra…” (CFW 1.6).

A compreensão salvadora das Escrituras não depende do esforço humano. Sem a iluminação do Espírito Santo, as pessoas podem ler e conhecer a Bíblia. Entretanto, a compreensão que salva só ocorre sob a atuação do Espírito de Deus. É por isso que devemos ler e estudar a Bíblia com oração. Temos de orar suplicando que o Espírito nos ilumine para compreender o que Deus revelou nas Escrituras.

A leitura e interpretação da Bíblia

Sendo um livro, a Bíblia exige, como qualquer outro, leitura e interpretação. E a CFW diz algumas coisas sobre esse assunto:

a) A Bíblia precisa ser traduzida

A Bíblia foi escrita, originalmente, em hebraico (Antigo Testamento) e em grego (Novo Testamento). Para ser lida, ela necessita ser traduzida para os vários idiomas do mundo. A CFW diz assim: “não sendo essas línguas (hebraico e grego) conhecidas por todo o povo de Deus… esses livros têm de ser traduzidos nas línguas vulgares de todas as nações aonde chegarem…” (CFW 1.8).

b) No essencial, a Bíblia pode ser compreendida por todos

Na Bíblia, existem textos fáceis e difíceis de serem compreendidos. (Leia 2 Pedro 3.14-16).

O ensino da CFW é o de que o conhecimento daquilo que é essencial para a salvação está ao alcance de todos na Bíblia. Suas palavras são: “Na Escritura não são todas as coisas igualmente claras em si, nem do mesmo modo evidentes a todos. Contudo, as coisas que precisam ser obedecidas, cridas e observadas para a salvação, em um ou outro passo das Escrituras, são tão claramente expostas e explicadas que não somente os doutos, mas ainda os indoutos … podem alcançar uma suficiente compreensão delas” (CFW 1.7).

c) A Bíblia deve ser interpretada pela própria Bíblia

Existem textos bíblicos complexos. Como interpretá-los? A CFW diz que “a regra infalível de interpretação da Escritura é a mesma Escritura. Portanto, quando houver questão sobre o verdadeiro e pleno sentido de qualquer texto da Escritura…esse texto deve ser estudado e compreendido por outros textos que falem mais claramente” (CFW 1.9).
Isso quer dizer duas coisas:

Não devemos interpretar a Bíblia formulando doutrinas a partir de um único texto. Tal procedimento pode levar a graves enganos e erros;

Quando um texto for obscuro, temos de procurar outros textos mais claros sobre aquele mesmo assunto, para uma compreensão melhor. Cada texto deve ser estudado e interpretado com o auxílio da Bíblia no seu todo.

Conclusão

Têm sido levantados, em nosso país, muitos monumentos à Bíblia. Isso representa uma atitude sincera de valorização e divulgação das Escrituras. Também são muitas as pessoas que consideram a Bíblia uma espécie de talismã. Quem anda com a Bíblia debaixo do braço sente-se protegido. Quem está enfermo coloca a Bíblia no local da enfermidade para promover a cura. Tais gestos podem representar uma atitude sincera de uso das Escrituras, porém puramente supersticiosa.

Devemos ter uma atitude diferente! A Bíblia é um livro. Um livro que exige leitura, estudo e interpretação. Um livro que não deve ser objeto de veneração nem ser um talismã.

O nosso respeito e consideração com a Bíblia devem ser manifestados numa só atitude: leitura, muito leitura, e estudo das Escrituras, com oração e esforço na sua interpretação.

Rev. Gerson Correia de Lacerda
Editor de O Estandarte
Pastor Auxiliar da 1ª IPI de Osasco

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