A TODOS QUE PRECISAM DE CURA (LUCAS 8.40-56)

Era a década de 50. Numa fazenda do interior de Minas, uma mãe colocava seus 8 filhos para dormir. A casa era grande. Não havia energia elétrica. A mãe visita filho por filho em suas camas, cobre-os e certifica-se de que está tudo bem com cada um deles para mais uma tranquila noite de sono.

Ao caminhar para seu quarto, avista clarões projetados na parede. São labaredas de fogo em um dos quartos. A mãe é a primeira a chegar e ver sua filha de 5 anos em chamas. O que fazer? Gritar? Desmaiar? Chorar? O instinto materno a leva a se jogar sobre a filha com um cobertor para apagar o fogo.

Começa assim o tormento de uma garotinha que, por se encantar com as cores da chama da vela, teve sua roupa e corpo incendiados. Não havia hospital para interná-la. Os remédios eram raros. A família deu o único remédio que tinha: o amor.

Pobre menininha, tão pequena e fraca naquela cama, sem poder brincar com os irmãozinhos no terreiro. Cada dia mais fraca, mais magrinha.

Quando o doutor vinha, pedaços de sua barriga, em decomposição, eram retirados e enterrados. Quando precisava ser levada à cidade, só podia ir com berço e tudo, de trem.

Tudo que aqueles pais desejavam era vê-la bem e curada sendo uma criança normal, como as outras.

Numa das visitas do médico, ele aconselhou a mãe a dedicar-se aos demais filhos, pois a garotinha não teria salvação. No entanto, a mãe sabia que poderia entregar seu medo de perder a filha a Deus e caiu de joelhos desesperada.

Minutos depois o médico voltou, pois se lembrara de uma pomada que talvez ajudasse. Assim Deus atendeu as orações da mãe desesperada: após a primeira vez do uso da pomada, já ouve sinais de melhora. A menina voltou a alimentar-se e foi se recuperando. Cresceu e constituiu uma família feliz.

Essa é uma história real, da minha família. Essa menininha que sofreu numa época quase sem recursos era minha tia Ione, hoje falecida há um ano, após lutar com muita fé contra três cânceres.

Quando esse acidente aconteceu, meus avós já haviam perdido uma filha de dois anos de idade com crupe, doença sem cura na época.

Histórias como essa talvez não sejam tão comuns hoje em dia, mas, há algumas décadas, muitas crianças morriam.

Mais ou menos assim era o caso da filha de Jairo.

Jairo era um dos mais respeitados da cidade. Tinha uma posição de destaque. Era líder da sinagoga. Tinha uma situação financeira boa e empregados à disposição.

Qualquer um na posição de Jairo se sentiria profundamente tentado a ser arrogante, prepotente e a jugar-se melhor que outros.

Mas os problemas vêm para todos, ricos, pobres, bonitos, feios, cultos, incultos, famosos, desconhecidos. Todos passam por dificuldades.

Às vezes, achamos que algumas pessoas têm mais problemas que outras. Não! A única diferença está na forma que cada um tem de lidar com as dificuldades.

A dificuldade de Jairo era terrível. Sua filha, ainda uma menina, estava adoentada há algum tempo e, agora, estava à beira da morte.

A doença deveria ser muito perigosa, pois pessoas do nível social de um chefe de sinagoga tinham dinheiro para recorrer a médicos e remédios de ponta. Mas tudo isso não resolveu.

Era um líder religioso, dedicado, fiel. Mas a menina continuava enferma. Que desespero!

Não havia mais nada a fazer. Só esperar a vontade de Deus e Ele tinha enviado Jesus para perto de Jairo.

Jesus era o homem mais polêmico da época. Dizia ser o filho de Deus, mas não tinha nem casa para morar. Maravilhava as multidões, mas andava em companhia de prostitutas, mendigos, publicanos. Pregava o bom caminho, mas era perseguido pela polícia.

O que pensaria de um homem assim um religioso tradicional e obediente à lei? Alguns dos pensamentos seriam estes: “O que os membros da sinagoga vão pensar de mim, se me virem junto desse homem? Vou dar mal testemunho se me aproximar dessas pessoas de má fama. Não posso provocar escândalo. É melhor não correr o risco de estar com esse grupo de pessoas”.

O preconceito e a descrença era a linha que separava sua filha da cura. A religiosidade significava perder sua filha. Arriscar com Jesus poderia ser perder sua religião.

Desde pequeno instituído nas leis judaicas, deixar sua crença queria dizer trair sua religião, trair os ensinos da sua família, a tradição de seu povo.

Imagine o dilema de Jairo: de um lado, estava o pai desesperado que via sua filhinha amada morrendo; de outro, o líder religioso que acreditava em Jesus.

Ao mesmo tempo em que ele era um homem instruído e rico, queria pedir ajuda a um andarilho.

Deus usa as coisas loucas desse mundo para confundir as sabias. O que parece loucura para alguns é poder de Deus e Deus queria ver aquele homem aos pés de Jesus. Jairo podia enviar um servo para procurar Jesus, chamá-lo em secreto, sem dar motivo para ninguém ficar escandalizado.

No entanto, Jairo foi pessoalmente. Havia uma multidão com Jesus. Isso poderia fazê-lo voltar atrás.

Contudo Jairo foi, jogou-se aos pés do Salvador, implorando que levasse vida à sua filha, à sua casa.

Toda multidão assistiu um dos homens mais poderosos da cidade se humilhar aos pés de um homem simples.

Jesus ouve com atenção o homem e o acompanha à sua casa.

No caminho, Jairo já começa a ver a manifestação do poder de Deus, quando Jesus cura uma mulher por ela somente toca-lhe a barra de suas vestes.

Mas um dos serviçais de Jairo chega e diz não há mais nada o que fazer por sua filha, pois ela tinha acabado de morrer.  

O que passou pela cabeça de Jairo naquele momento?

Se Jesus não tivesse parado para descobrir quem o tinha tocado, se não parasse para conversar com aquela mulher, teria dado tempo…

Jesus, conhecendo não só os pensamentos, mas os sentimentos de Jairo, o acalma. Entram no quarto da menina, mas, antes, Jesus manda embora todos aqueles que escarneciam e caçoavam dele quando disse que a menina dormia.

A mãe, o pai, dois apóstolos foram as testemunhas do milagre. Jairo esperava que Jesus curasse sua filha, mas Jesus estava disposto a fazer mais.

Ele a ressuscitou!

Jesus sempre está disposto a fazer por nós mais do que esperamos! A morte não é limite para Jesus! Ele a venceu quando ressuscitou Lázaro e quando venceu sua própria morte.

Talvez você esteja morto por dentro. Suas emoções parecem mortas. Não tem alegria ou esperança de ser feliz.

Talvez sua família pareça estar morta. O marido já não ama mais a esposa; os filhos não obedecem e respeitam os pais; ou um dos pais abandonou o filho.

Talvez os seus negócios estejam morrendo. A única coisa que você vê é o sepulcro da falência.

Sua vida com Deus está se decompondo, mas Jesus é Senhor sobre a morte. Ele pode e quer te conceder nova vida.

Quando Jesus ressuscita uma pessoa, ela não cabe em si de contentamento. Contagia tudo que está ao seu redor.

Se você quer vida nova para alguém ao seu redor encha-se você primeiro!

A vida que Deus quer te dar não caberá só em você e atingirá a todos.

O que Jesus precisa ressuscitar em você hoje? Talvez esteja faltando sua atitude de jogar-se aos pés de Jesus, sem se preocupar com a multidão.

Presbª. Fabiana de Oliveira Ribeiro
Professora
Presbítera da IPI de Alterosa, MG

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

O ESTANDARTE