QUE DAREI AO SENHOR? (SL 116)

Quando o ser humano reconhece o amor de Deus em Jesus Cristo, aflora em seu coração o imenso desejo de retribuição. Ele experimenta os benefícios do Senhor em sua vida e vive para agradá-lo.

Esta foi a postura do salmista que inicia a sua poesia dizendo: “Amo o Senhor, porque ele ouve a minha voz e as minhas súplicas”.

Esta é a grandedemonstração de um coração grato: o reconhecimento do cuidado gracioso de Deus. De fato, Deus requer de nós atitudes e sentimentos de gratidão, requer que o amemos pelos seus grandes feitos, e nos ensina a prestar-lhe ações de graças, dando-nos oportunidades preciosas para o exercício do nosso amor a ele, apesar de nossa condição de pecadores.

Em Jesus Cristo, podemos oferecer ao Senhor sacrifícios de louvor, tomar o cálice da salvação e cumprir os nossos votos com liberdade, e na presença de todo o povo, como afirma o salmista.

Estamos em  novembro, mês em que celebramos a Festa das Primícias e, neste período, cada um a seu modo e na presença da congregação, traz ao altar o fruto de sua gratidão, o cumprimento de seus votos,  e a declaração de seu amor a Deus por meio de suas oferendas que nada mais são do que a memória do próprio coração.

A cada ano, quando nos preparamos para a festa, trazemos à memória aquilo que vivemos, e projetamos as nossas esperanças para um futuro que, pela fé, cremos estar nas mãos de Deus.

Porém, vale ressaltar que estamos vivendo um ano diferente. Estamos em meio a uma pandemia. Muitos ainda isolados em suas casas à espera de um remédio que cure milagrosamente não somente a doença causada pela Covid-19, mas também as doenças emocionais, de relacionamentos e as mazelas agravadas pela imensa crise que vivemos. Assim, em meio a todo esse vendaval é inevitável perguntarmos: como ser grato a Deus neste tempo?

Para respondermos a esta pergunta, é importante voltarmos os nossos olhos novamente para o Salmo, porque o salmista continua a sua poesia dizendo: “Laços de morte me cercaram, e angústias do inferno se apoderaram de mim”.

Ele não fez uma declaração de amor ao Senhor porque estava nos melhores dias de sua vida. Ele disse que amava a Deus porque Deus ouvia a sua oração e, apesar de tudo que o cercava, ele continuava com o coração grato e cheio de amor porque o Senhor o ouvia e graciosamente lhe respondia.

É em tempos de crise que somos chamados a agradecer, a louvar ao Senhor pelos seus poderosos feitos, e a oferecermos a nossa adoração. O salmista olhou para o tempo presente com medo, indignação e tristeza, mas buscou o socorro de Deus e acreditou que o Senhor iria livrá-lo e ouvir a sua oração.

Por isso, ele canta: “Volta, minha alma, ao teu sossego, pois o Senhor tem sido generoso para comigo”.

É maravilhoso ver o reconhecimento do coração de Davi que, apesar de não dizer explicitamente o contexto de seu sofrimento, deixa claro que estava a passar por dias difíceis, porém, mesmo em meio ao sofrimento, ele descansava em Deus e lhe fazia ofertas de gratidão.

O salmista expressa seus sentimentos de forma muito intensa, e estabelece uma conversa consigo mesmo. Recorda o que passou, quais foram seus pensamentos e suas palavras quando experimentou o perigo da morte, e pergunta como poderia retribuir a Deus o bem que recebeu.

Sobre isso Calvino escreve: “É para ser notado que Davi confessa estar muito agitado e perplexo em meio a uma acumulação de males, da mesma forma que cada um de nós tem consciência de sua própria inquietação, quando os terrores da morte nos cercam. Embora, portanto, Davi possuísse uma força incomum, ele ainda estava angustiado por causa do conflito de luto, e um tremor interior distraiu tanto sua mente, que ele se queixa justamente de ser privado de sua paz. Ele declara, no entanto, que a graça de Deus era adequada para acalmar todos esses problemas. (Comentário dos Salmos).  Esta atitude do salmista impressiona! Em outras palavras, ele diz: “Eu resolvo ser grato a Deus. Resolvo estar nos átrios do Senhor. Pelo que Deus é, eu serei grato, e o amarei”.

A experiência de Davi nos ensina que a graça cuidadora de Deus é capaz de aliviar as nossas angústias e medos, e nos transforma em adoradores dispostos a amar ao Senhor e a oferecer-lhe o nosso coração como expressão de gratidão por tudo o que ele já fez por nós. É novembro! Ofereçamos as primícias da nossa vida a Deus, em amor!

Revª. Ildemara Querina Bomfim
Pastora da IPI da Lapa, SP
Administradora Geral da IPIB

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