UMA ESPÉCIE DE ADULTÉRIO

Muitos homens fazem do seu trabalho uma “segunda família”, e se orgulham disso.

Muitas são as razões: não perder o lugar para alguém em ascensão; para agradar a chefia; para suprir suas deficiências em outros setores; ou mesmo para não deixar a “peteca cair” é que muitos se dedicam, de corpo e alma, ao seu serviço.

O mais interessante é que, em função do lema “o trabalho honra e dignifica o homem”, todos têm uma boa desculpa para se embrenhar, cada dia mais, num labor estafante, em detrimento de tudo e de todos, principalmente de sua família.

Como é bom ver um homem que trabalha. Chocam-nos os que não gostam de trabalhar (e existem muitos).

É confortante saber que todas as construções da vida se fazem com muita luta. No entanto, muitos (se não a grande maioria) se esquecem que a vida é um todo, composta de muitas facetas e que o trabalho é apenas uma delas e que outras, também importantes, merecem tanta consideração quanto.

E nós temos visto, em função dos conflitos demonstrados todos os dias, que, por causa do excesso de trabalho, a família (esposa e filhos) tem sido relegada a segundo plano.

E o pior de tudo é que o mau humor, a rispidez, a ausência prolongada, a falta de diálogo e todos os problemas causados por esta preocupação com o ganho, são “dourados” pela desculpa de que “tudo faço por amor a vocês” , “vocês são a causa do meu desgaste” (e outras mais), levando ainda a família a uma profunda dor de consciência por estar “exigindo” que o pai e marido tenha um pouco mais de paciência, fique um pouco mais em casa, leve os filhos para tomar sorvete ou assistir um filme, ou ofereça à esposa, além dos carinhos habituais e apressados antes de uma relação sexual obrigatória, alguma atenção que demonstre que ela ainda é amada um pouco mais do que a profissão.

Cremos ser isto uma espécie diferenciada de adultério.

O que todos vamos descobrir, depois de muitas dificuldades, é que a morte ou a doença provam que o indivíduo é perfeitamente dispensável em qualquer empresa e que, no entanto, sua posição no lar é única. A esposa não tem outro marido e os filhos não tem outro pai. Portanto, eles é que realmente são importantes.

Depois de algum tempo, quando a infelicidade toma conta, ou os filhos começam a dar trabalho, o chefe da casa inicia, então, um processo de autocomiseração com aquelas frases chorosas: “Onde será que errei?” “Eu dei tudo o que eles precisavam”, etc.

O que se constata é que, nesta hora a grande verdade, o homem foi um grande empresário, um grande homem de negócios ou um exemplar empregado, ou até mesmo um consagrado pastor, mas foi um péssimo pai e marido.

Em tempo

Sobre este assunto há um depoimento do jornalista Hélio Fraga, dramático e profundamente triste, mas que retrata, da forma mais realista possível, a vida de filhos cujos pais se dedicam de forma excessiva ao trabalho. Tem por título “Declaração de Bens.

Caso não tenham lido, posso passar por e-mail a todos os que desejarem.

Rev. Gerson Moraes de Araújo
Ministro jubilado da IPIB e capelão do Hospital Evangélico de Londrina, PR

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