MÃES, SEMEADORAS DE VIDA E DE ESPERANÇA

Muitos poetas compuseram poemas que têm por tema: Mãe.

Podemos citar:

  • Mário Quintana: “todo bem que se disser, nunca há de ser tão grande como o bem que ela nos quer”;
  • Carlos Drummond de Andrade “Fosse eu Rei do Mundo, baixava uma lei: Mãe não morre nunca”;
  • Cecília Meireles os filhos não são das mães, são do mundo, mas elas permanecem numa “vigília inexplicável”; e
  • Vinícius de Moraes mãe é aquela “que, com doces cantigas, espalha os medos do filho”.

Muito se poderia dizer a respeito das mães quanto à dedicação, ao afeto, aos acertos e erros na educação dos filhos. Poderiam ser citadas as atitudes limítrofes que as mães enfrentam para cuidar do filho destruído pelas drogas, das humilhações a que se submetem para visitar o filho encarcerado, das ações desesperadas para ganhar o trocado e levar o pão de cada dia para alimentar as crianças. Ainda assim, não seria possível estabelecer definições fechadas e conclusas da relação das mães com seus filhos.

Há mães que têm filhos nascidos de seus ventres; outras, nascidos do coração; ainda outras que acolhem os filhos de outras mães. Há mães que contam com pais na criação dos filhos; outras que os criam sozinhas; ainda outras que se unem para cuidar dos filhos gerados por outras mães impossibilitadas de fazê-lo.

Há no Brasil “cerca de 11,6 milhões de famílias chefiadas exclusivamente por mães”. De acordo com os dados, 55% vivem com menos de R$ 10 por pessoa por dia. Entre as mulheres pardas e pretas, esse quadro é visto em 63% dos casos.

As mães vivem em um cenário de incertezas, de angústias, de ansiedades e de enfermidade devido ao Covid-19.

O que dizer delas em tempos difíceis? Elas continuam semeando a esperança. Vencem os próprios medos para atenderem as necessidades das crianças; reinventam a convivência no isolamento social para que os fi lhos não se desesperem; reorganizam a vida para cumprirem as exigências do trabalho e da atenção solicitada pelos filhos.

Na Bíblia, encontramos mães que, em situações difíceis, não esmoreceram. Tomaram decisões para garantir o bem-estar e a vida de seus filhos, sem pensar nos riscos para a própria vida.

  • Em meio à morte, Joquebede entregou o seu filho Moisés (Êx 2.1-10) aos cuidados de outra mãe para que ele pudesse sobreviver à matança ordenada pelo Faraó.
  • Diante do rei Salomão, a mãe prostituta abdicou do direito materno em favor da vida do filho, preferindo que ele fosse criado por outra mulher a vê-lo morto (1Rs 3.16-28).
  • Com o coração angustiado, a sunamita (2Rs 4.8-37) procurou o profeta Eliseu para expor o lamento pela morte do filho que lhe foi dado no limiar da esperança de ser mãe.
  • Maria, a mãe de Jesus, seguiu o filho pelas trilhas da Galileia e viu quando ele morreu numa cruz, sem ter cometido delito algum, mas se alegrou no reencontro com ele, após ser ressuscitado.

Foram mães que lançaram sementes de esperança em favor da vida de seus filhos.

Em nosso tempo, mães despreparadas, desorientadas, desesperadas entregam seus filhos a outras mães a fim de que tenham novas oportunidades para viver.

Milhares de mães em nosso país são capazes de repartir entre os filhos porções mínimas para que não morram de fome.

Uma infinidade de mães permanece durante dias, semanas ao redor do leito de filhos enfermos, internados em hospitais, mesmo quando o coração fica angustiado por deixar demais filhos aos cuidados de outras pessoas.

Muitos poetas colocaram em versos o que as mães representam, mas não há poesia maior do que a graça dada por Deus às mães, próximas ou distantes, biológicas ou do coração, com muita ou pouca virtude, de se tornarem semeadoras de esperança e de vida.

Feliz dia para todas as mães!


Revª. Shirley Maria dos Santos Proença
Professora e Coordenadora da Faculdade de Teologia de São Paulo da IPI do Brasil (FATIPI)

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