EDUCAÇÃO AMBIENTAL COMO ATO REDENTIVO

É consenso que a educação fundamental das nossas crianças na escola é deficitária. Embora elas tenham contato com muitos assuntos, há alguns que são simplesmente ignorados, como a educação financeira, por exemplo. O fato de termos tantos adultos incapazes de lidar de forma saudável com suas finanças é um reflexo da falta de educação financeira que eles deveriam ter recebido desde a infância. E podemos chegar à mesma conclusão quanto à educação ambiental.

Apesar de ter ocupado algum espaço na educação das crianças nos últimos tempos, a educação ambiental segue como um tema secundário na educação dos nossos filhos. E, se na escola se discute pouco o assunto, menos ainda a discussão se dá nas conversas familiares. Raras vezes incluímos nas nossas conversas em casa o tema do meio ambiente. Quando o fazemos, geralmente nosso discurso aponta “o outro”, o capitalismo, a sociedade consumista, o governo, como agentes de destruição da natureza.

Precisamos entender que o meio ambiente é uma prova da generosidade de Deus para com o ser humano e que a maneira mais íntegra que temos de reconhecer esta verdade é entregando ao meio ambiente a nossa generosidade por ideias e atos. Infelizmente, os cristãos perderam a compreensão de que a redenção é um ato divino que envolve não apenas as pessoas, com suas almas e corpos, mas também a natureza, o meio ambiente.

Embora ignoremos, o meio ambiente sempre ocupou um lugar de destaque na Bíblia. Adão recebeu a incumbência de cuidar do meio ambiente como se fosse o jardineiro; o salmista percebia a natureza como o espaço onde se manifesta a glória de Deus; o apóstolo Paulo, na Carta aos Romanos, afirma claramente que o todo o universo, como todos nós, sofre e geme, aguardando a redenção. Ou seja, nós e o meio ambiente estamos, igualmente, no foco da redenção do Criador!

Alguns fatos do nosso tempo são sinais do quanto a nossa consciência cristã foi amortecida e alienada a respeito do tema. Um deles é o desprezo que assumimos em relação aos índios. Lamentavelmente, temos ouvido de muitos cristãos um discurso de menosprezo, de desvalorização e, em alguns casos, de rejeição em relação aos índios brasileiros. Nossos índios são a parte do nosso povo que ainda preserva uma consciência ambiental genuína. No entanto, ultimamente eles têm sido alvos de ataques de grupos ideológicos que visam apenas ao lucro e que ajudam a destruir o nosso meio ambiente. Muitos cristãos têm embarcado neste discurso!

Os índios, no Brasil, são profetas que denunciam o nosso descaso com a natureza. O desprezo, o preconceito e a hostilidade dirigidos a eles são a resposta de uma sociedade narcisista, que perdeu a capacidade de perceber que está inserida num “jardim” criado por Deus, que merece cuidados e grita por socorro. É inadmissível que cristãos estejam incluídos entre os que compartilham deste discurso!

O desmatamento e a invasão de áreas indígenas na Amazônia, por exemplo, é um crime contra a natureza, contra os índios e, acima de tudo, contra o Criador, o nosso Deus. Nós, cristãos, não podemos continuar impassíveis, silentes, camuflados. Deus espera uma resposta do seu povo!

O segundo fato que denuncia nossa falta de consciência em relação ao meio ambiente é o nosso silêncio. Em 2019, despontou na mídia uma menina sueca de 17 anos, Greta Thunberg, que mereceu a atenção do mundo todo. Ela atraiu todo tido de manifestações: algumas muito favoráveis e outras muito hostis. Foi chamada de “menina mimada” por uns e de “profetisa do nosso tempo” por outros.

Ela descortinou verdades a respeito das mudanças climáticas e de como o ser humano tem sido um péssimo mordomo da natureza que o Criador entregou em suas mãos.

Greta Thunberg deve ser encarada como o “clamor das pedras”, que ocorre quando os discípulos de Jesus se calam diante de uma situação que merece manifestação enfática.

Dessa forma, não há que se falar em educação ambiental a ser dirigida apenas às nossas crianças, mas é preciso pensarmos num programa que atinja de forma mais agressiva os adultos. O tema é emergente, urgente. O desprezo e o silêncio dos adultos da nossa geração podem significar um legado de destruição à natureza que irá impedir nossos netos de desfrutá-la e contemplá-la como nós temos tido o privilégio de fazê-lo. Além disso, denuncia que não compreendemos o aspecto teológico, divino, sagrado que envolve o meio ambiente na mensagem cristã.

Ademais, são os adultos que precisam comunicar aos seus filhos e netos a verdade de que, como igreja, somos agentes da redenção do Senhor na natureza, enquanto estivermos por aqui. É uma missão que nos foi outorgada, como a missão de falar de Jesus às pessoas. Aliás, há quem desconfie da mensagem do evangelho quando pregada por cristãos descomprometidos com valores tão especiais como a preservação do meio ambiente.

Não nos esqueçamos: a natureza é nossa parceira na redenção!


Rev. Esny Cerene Soares
Pastor da IPI de Vila Dom Pedro I, São Paulo, SP
Secretário de Educação Secular da IPIB

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