DEVERES DIÁRIOS DO CRISTÃO

RM 12.9-11 – 22º DOMINGO DO TEMPO COMUM (30/8/2020)
TEXTOS COMPLEMENTARES: EX 3.1-15; SL 105.1-6, 23-26, 45; MT 16.21-28

Os milagres de Deus são perfeitos na mensagem que transmitem. A sarça não se consumia para atrair Moisés ao monte santo a fim de que recebesse de Deus a missão que teria a cumprir.

O salmista entende assim, pois, ao dizer que todos deveriam narrar as grandes maravilhas, ele mesmo registra em seu poema os grandes atos de livramentos de Deus e fala do seu poder.

Pedro repreendeu a Jesus porque ainda não estava entendendo a grande salvação que Jesus traria por meio de sua morte e ressurreição. Por isso, ainda não estava preparado para tomar a própria cruz e seguir o Mestre.

No texto de Romanos, proposto para a presente análise, Paulo dá orientações para os crentes entenderem e cumprirem todos os objetivos divinos na implantação de sua igreja.

Por isso, os exemplos para a exposição a seguir serão tirados dos textos complementares. Pode-se imaginar assim a repercussão destes ensinamentos do apóstolo na igreja de Roma: Pérside é membro de uma das comunidades cristãs da capital do Império, conforme a lista que está no final da carta. Ela ouviu a leitura da carta que Paulo enviou à sua igreja.

A primeira coisa que observou é que o conjunto dos conselhos do apóstolo começa com a recomendação para que os crentes se apeguem ao bem e se afastem de toda manifestação do mal. Ela entendeu que todas as demais ordens estavam resumidas nesta recomendação. Resolveu então escrever estas recomendações para tê-las perto de si. Como, porém, eram muitas, vinte e cinco, achou melhor dividi-las em três grupos:

Palavras de orientação para a vida devocional (Rm12.9-12)

Zelo, fervor, oração, serviço ao Senhor – Pérside entendeu que o cultivo de uma vida consagrada era, em si mesmo, um serviço prestado a Deus. Na carta, Paulo elogia o trabalho que ela vinha prestando na igreja.

Ao ler as recomendações, pensou em ser ainda mais zelosa em sua dedicação ao serviço divino, com mais responsabilidade na presença e participação em tudo o que a ela competia fazer. Pensou também que deveria estrar mais atenta ao estudo e entendimento do evangelho anunciado.

Ela ouvia falar, e ela mesma pensava, que os próprios ensinamentos do apóstolo Paulo eram difíceis e demandavam muita atenção para que fossem entendidos. Sua atenção voltou principalmente para o apelo do apóstolo para a prática da oração.

Aproveitando que a palavra hipocrisia apareceu na lista, pensou em algumas pessoas que estavam querendo impressionar a congregação com largas e inflamadas, mas vazias orações. Suas orações deveriam ser mais objetivas.

O próprio Paulo pedia orações para vencer as dificuldades que enfrentava.

Ela deveria agradecer o crescimento da igreja, suplicar pelos ataques que vinha sofrendo por parte dos judeus, pelas dificuldades próprias de viver o evangelho em uma cidade como Roma, cuja depravação chegava a ser praticada em nome das diferentes religiões.

Ela precisaria orar pelas igrejas espalhadas ao longo do império, cada uma com os seus obstáculos a vencer. Somente desenvolvendo uma espiritualidade sadia, a igreja poderia cumprir sua missão até a volta do Senhor Jesus Cristo.

Orientações referentes à integridade pessoal (Rm 12.13-18)

Esperança, paciência, orgulho, sabedoria, vingança, amor ao inimigo – A Igreja de Roma, segundo o próprio testemunho do apóstolo, registrado na carta, gozava de alto conceito e admiração junto às demais comunidades das províncias. Esta situação poderia criar sentimentos contraditórios nos seus membros.

A esperança, único sentimento que garante o crente enquanto aguarda a gloriosa volta de Jesus, e a paciência para suportar as aflições que caem sobre o povo cristãos podem desaparecer mediante uma segurança firmada apenas na situação privilegiada que ocupa como igreja.

Por outro lado, os elogios constantes recebidos podem alimentar o sentimento de orgulho e de superioridade em relação às comunidades menos privilegiadas. Mais acesso aos meios de informação e visitas de missionários de maior renome trariam a ela e à igreja a sensação de maior conhecimento e pretensa sabedoria perante os indoutos, destituídos dos meios disponíveis de instrução.

Todo esforço então deveria ser desprendido para que ela conservasse o espírito da mensagem que recebeu do evangelho: espírito de esperança, paciência, humildade, reconhecimento de que toda a saberia da igreja vem do alto, conduzida pelo Espírito Santo até aos corações humanos.

Mas restava uma última ordem do apóstolo muito difícil de ser cumprida. Por aquele tempo, os judeus já eram reconhecidos como inimigos declarados dos cristãos, criando, por causa disso, uma situação perigosa até no convívio da igreja com as autoridades do império.

Era normal que os cristãos também os odiassem e se sentissem felizes ao saberem que os romanos estavam prontos a expulsar os judeus de sua capital. Na carta, porém, Paulo orienta para que os judeus não fossem tratados como inimigos, mas como irmãos amados.

Escritos em épocas diferentes, os textos complementares apresentam o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó como o Deus verdadeiro. Seguindo o exemplo do Mestre, que morreu pelos seus inimigos, o povo do evangelho deveria amar não somente os judeus, mas todos os inimigos, na esperança de que, pela oração, pudessem vir a aceitar a mesma palavra de salvação por meio de Jesus Cristo.

Orientações para a vida em sociedade (Rm 12.19-21)

Alegrar-se, chorar, compartilhar, praticar hospitalidade, promover a paz, suprir os famintos e sedentos, abençoar – Pérside pensa logo que ela deve aumentar sua participação no grupo de senhoras da igreja que atende aos órfãos e às viúvas. Sente-se também um pouco ausente, achando que deve participar mais dos sofrimentos e das alegrias dos irmãos de sua comunidade.

Ah! A hospitalidade.

O próprio Paulo disse que vem à cidade. Mas, para hospedar o apóstolo, não faltam famílias da igreja. Há um problema bem mais grave. Está chegando muita gente de fora. São irmãos.

Ela lembra que recentemente Paulo apresentou à comunidade a irmã Febe, vinda de Cencreia. Muitos destes irmãos estão deixando o lugar de origem por perseguição ou pobreza.

A igreja tem de acolhê-los e abrigá-los. O mais impressionante, porém, é que o apóstolo diz que é para fazer tudo isto também para os inimigos, e até os abençoar! Quem faz isso amontoa brasas na cabeça do inimigo. Pérside não sabe bem o que quer dizer isto, embora saiba que está na Bíblia.

Uma coisa, porém, ela guardou: A igreja tem de ser agente da paz neste mundo de violência e de guerra.

Rev. Lysias Oliveira dos Santos
Pastor Jubilado da IPI do Brasil

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