JESUS, O LIBERTADOR DA MULHER

No dia 25 de novembro, é comemorado o Dia Internacional de Não Violência contra as Mulheres. Para tratar desse assunto, temos como personagem principal e exemplo Jesus, um aliado e defensor das mulheres durante o seu ministério.

Ao analisarmos o Novo Testamento, diversos são os textos em que Jesus dialoga, transforma, restaura, modifica e dignifica as mulheres. O próprio Cristo é quem restitui à mulher a dignidade humana que dela fora roubada, pois desde o Édem a mulher carrega a culpa pelo pecado original, sempre vinculado ao seu gênero.

“Eva” foi enganada pela serpente, que fez com que a mulher comesse do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, o que era proibido por Deus. Ao comer, Eva também deu a seu marido. Como punição, ambos foram banidos do Jardim do Éden (Gn 3).

Para muitos religiosos, este fato retrata a culpa da queda como sendo exclusiva da mulher, que até hoje carrega marcas deste pecado. Em pleno século XXI, muitas mulheres continuam sendo submissas, escravas, objetos e precisam usar de estratégias para conseguirem se destacar nas mais variadas situações.

Foi também como remidor que Deus se revelou a Moisés, chamando-o para a libertação dos filhos de Israel. Ele lhe disse: “Dize aos filhos de Israel: Eu sou o Senhor, e vos tirarei de debaixo das cargas do Egito, vos livrarei da sua servidão e vos resgatarei com braço estendido e com grandes manifestações de julgamento” (Ex 6.6).

Deus se torna o remidor e redentor do seu povo, estando sempre presente ao lado dos oprimidos, a ponto de libertá-lo dos poderosos, oferecer-lhe nova terra, esperança e liberdade. Deus, ao redimir o povo, expressa seu amor e interesse pelo seu bem-estar.

A mesma ação de redimir foi necessária para com as mulheres. Estas precisavam de alguém que lhes trouxesse de volta a esperança, para conquistarem o mundo que a elas também pertence.

 Em Jesus, este remidor é encontrado. Ele pagou o alto preço para que todos pudessem possuir a mesma dignidade, fossem vistos como iguais e tratados como seres humanos, não mais sendo excluídos pela sociedade.

Através do ministério de Jesus, a mulher não se limita mais a pertencer a espaços privados da casa e das responsabilidades domésticas. No seu grupo de seguidores, e principalmente de amizades, encontramos mulheres. As que possuíam riquezas, ajudavam a suprir financeiramente o seu ministério.

Jesus, porém, não as limita a serem apenas financiadoras. Ele despertou delas a coragem para irem além daquilo que as comunidades patriarcais as limitavam.

O que o Jesus buscava era romper com as barreiras que dividiam homens e mulheres, com as quais as que mais sofriam eram elas. Mas, ao trazê-las para perto de si, Ele demonstrou a importância que as mulheres detinham em seu ministério.

Jesus julgava as pessoas de acordo com sua fé, e não por seu gênero. Assim, quando analisamos o lugar que a mulher ocupava no judaísmo e no Império Romano no período em que os evangelhos foram escritos, é imprescindível notarmos a maneira como as mulheres foram tratadas por Jesus. Antes dele, não houve precedentes que o igualasse neste sentido.

O seu olhar para com as mulheres era composto por um olhar de igualdade, e não como objeto. A elas era permitido se achegarem a Ele, e serem tratadas com respeito e admiração.

Nos evangelhos de Lucas e de João, podemos ver narrativas nas quais mulheres são descritas ouvindo e sendo ensinadas pelo Mestre. Ambos buscaram retratar Jesus como alguém que não somente demonstrou interesse pelo seu bem-estar, mas que lhes deu o seu devido valor.

Em muitas ocasiões, encontramos Jesus criticando os homens por suas atitudes de injustiças cometidas contra as mulheres. Com suas ações, Jesus se torna defensor dos direitos das mulheres, dando a elas total apoio.

Jesus chamou a mulher recurvada de filha de Abraão: “Por que motivo não se devia livrar deste cativeiro, em dia de sábado, esta filha de Abraão, a quem Satanás trazia presa há dezoito anos?” A expressão “filho de Abraão” era atribuída somente a homens (Lc 13.16).

Quando Jesus estava a caminho do Gólgota, ele disse às mulheres: “Filhas de Jerusalém, não choreis por mim; chorai, antes, por vós mesmas e por vossos filhos!” (Lc 23.18). Este modo de se dirigir às mulheres constituía novidade em relação ao tratamento pessoal da época.

Muitos estranharam, quando Jesus falou que os publicanos e as meretrizes eram merecedores do Reino de Deus (Mt 21.31).

Jesus repudia todo sexismo e discriminação da sua época através de suas ações. Por esta razão os saduceus, escribas e fariseus se levantaram contra Jesus, pois não admitiam seus ensinos.

No Evangelho de João, uma mulher é apanhada em adultério, sendo levada diante de Jesus pelos fariseus. Eles alegaram que, pela lei de Moisés, ela tinha de ser apedrejada e perguntaram ao Mestre: “O que deve ser feito?” Escrevendo no chão com o dedo, Jesus diz simplesmente isso: “Aquele que dentre vós estiverdes sem pecado seja o primeiro que lhe atire pedra” (Jo 8.6,7).

Esta resposta objetiva e clara de Jesus fez com que um a um dos fariseus se retirassem do local, ficando apenas a mulher e Jesus. Os acusadores sabiam que, se de fato quisessem que a lei fosse cumprida, ambos os adúlteros deveriam ser apresentados e apedrejados. Todavia, somente a mulher foi exposta à vergonha e à opinião pública.

Jesus dirige a ela a palavra com todo respeito: “Vá e não peque mais”.

Ao dizer estas palavras, Ele a conduz de volta à sociedade e autentica a sua liberdade. Ela volta a ser igual porque com Jesus ocorre este despertar da consciência sobre nossos preconceitos e julgamentos. Ele nos dá uma nova projeção perante nossas ações, desperta em nós o desejo de sermos misericordiosos e seguirmos com a consciência limpa por nossos atos com nossos semelhantes.

São diversos os relatos bíblicos em que mulheres tiveram suas vidas libertas, modificadas e transformadas por Jesus. Ele rompe com todos os paradigmas e violências que conduziam suas vidas. Cada mulher foi incluída de maneira especial no ministério de Jesus, e não à parte dele.

Nos evangelhos, encontramos estes relatos que nos possibilitam um mergulho transformador e restaurador em nossas ações de forma que sejamos seres humanos diferenciados. Pois, até hoje, essa busca pela liberdade por parte das mulheres ainda continua.

Mulheres precisam o tempo todo provarem que são inteligentes, resistentes, fortes e batalhadoras, mesmo que não consigam alcançar seus sonhos e realizações. A sua luta possui um peso dobrado para alcançar e conquistar espaços, simplesmente por serem mulheres.

Outro fator gritante do atual cenário é a violência física cometida contra as mulheres que, em meio a uma epidemia, viram seus corpos sendo alvos de agressões e estupros e, o que choca mais, a violência parte, na maioria das vezes, de parentes próximos.

Precisamos que todos possuam o mesmo olhar libertador e remidor de Jesus que, com suas ações transformadoras e salvadoras, possibilitou a dignidade, o respeito, a consideração e a igualdade às mulheres. Jesus foi um homem à frente de seu tempo, que veio, entre outras coisas, possibilitar a mudança no trato para com os seres “fragilizados”, mas detentores de um poder avassalador, as mulheres.

Busquemos no exemplo de Jesus inspiração para nossas práticas e lutas, a mesma luta que Ele lutou, para que uma nova ordem seja estabelecida e as mulheres possam ser libertas e, principalmente, protagonistas da sua própria história.

Reva. Kellen Christiane Rodrigues
Pastora auxiliar da IPI do Ana Jacinta, Presidente Prudente, SP

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