O JOVEM E A TEOLOGIA

“Os jovens aprendem física, química, filosofia, matemática, mas a igreja acha que eles não conseguem aprender teologia e, então, dá a eles entretenimento.”

Esta frase de Josemar Bessa serve de provocação sobre o desafio que temos como igreja. Um desafio urgente de apresentar a eles, os jovens, respostas bíblicas definitivas para os inúmeros questionamentos que surgem nesse momento da vida e da cultura em que estão inseridos.

Existe uma falsa mentalidade de que “jovem” e “teologia” são palavras que não combinam.

Por isso, muitos programas e ministérios com juventude bem intencionados acabam se baseando em eventos, entretenimento, experiências emocionais – elementos esses muito importantes na dinâmica da vida – sem proporcionar reflexão teológica que os ajuda a sair dos encontros com perguntas e respostas relevantes sobre Deus, a Palavra e sua relação com a vida.

Esse desequilíbrio gera uma superficialidade nas convicções sobre a fé que torna o indivíduo extremamente vulnerável. A quê?

A cultura está repleta de conceitos e posicionamentos teológicos que norteiam a busca por sentido e significado na existência.

Nem sempre (quase nunca) esses conceitos são apresentados de forma extravagante, mas por uma sutil, sedutora e silenciosa influência que molda a forma de pensar, de viver e de se relacionar com Deus e com o mundo.

Filmes e séries são exemplos disso, e cada vez mais ganham um espaço sem filtro na mente e coração dos jovens.

O agravante disso tudo é que tais projetos não possuem compromisso com as Escrituras, ou seja, a Verdade está em jogo. Por exemplo:

A segunda temporada da série “13 Razões”, da Netflix, traz um questionamento complexo a respeito da imortalidade da alma, logo em sequência de uma abordagem a respeito do suicídio, assunto que ainda figura como tabu como assunto “de igreja”.

A nova trilogia “Star Wars” resgata um dualismo maniqueísta (a guerra entre o bem e o mal) e traz como “plano de fundo” relações paternais complexas e culminam em crises de identidade para os personagens.

“Avatar”, uma das maiores bilheterias da história do cinema, traz em si uma proposta explicitamente animista e panteísta.

Isso para não falar das séries adolescentes como “Divergente”, “Maze Runner”, “Jogos Vorazes”, que sutilmente elaboram pensamentos teológicos que são capazes de causar não apenas emoções de uma super produção do cinema, mas conceitos e repercussões para a vida sobre como relacionar-se com Deus, ou seja, teologia.

As influências de pensamento proporcionadas pelas séries e pelo cinema não devem ser demonizadas. Contudo, tão pouco, ignorados.

Se a igreja não traz ao debate as propostas que são apresentadas pela cultura e não as coloca sob a luz do evangelho, muitas supostas verdades ganham a mente de pessoas que talvez ainda não tenham condição de identificar as diversas influências a que são submetidos.

Enquanto a igreja deixar de exercer seu papel, esse espaço será ocupado sem interferências pela cultura que o jovem consome cada vez mais sem limites.

Temos a melhor de todas as histórias e a melhor de todas as fontes, a maior de todas as narrativas, mas tememos as perguntas e questionamentos que surgem sobre Deus e a Palavra como se alguma fragilidade pudesse ser descoberta.

A Palavra não precisa ser defendida e, sim, exposta, e os jovens encontrarão conhecimento, emoção, amor, espiritualidade, identidade, verdade que sustentem suas convicções, pois são alimentadas pela fé na pessoa de Cristo.

A chatice teológica é um mito que a igreja criou e que a igreja mesmo precisa destruir.

Talvez não falte interesse dos jovens pela teologia.

Talvez o que falta à igreja é o entusiasmo, a confiança e a disposição para contar a melhor de todas as histórias da melhor maneira.

Rev. Rodolfo Gois (@rodolfogois) e Rafael Tomazini (@rafaeltomazinii)
Pastores da 2ª IPI de Maringá, PR

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