A DISTÂNCIA ENTRE O DISCURSO E A PRÁTICA

Penso que este é nosso maior desafio na vida: manter a coerência entre nosso discurso e nossa prática cotidiana. Há muito tempo, li que só podemos dizer que aprendemos algo quando mudamos nosso comportamento. Nessa perspectiva, aprendemos muito pouco, pois é difícil perceber mudanças efetivas na vida. E olhe que meu trabalho é ajudar as pessoas a mudar a fim de alcançar uma vida melhor!

A experiência mostra que acontecimentos relevantes podem levar a mudanças significativas em nosso estilo de vida, consequência da mudança efetiva de perspectiva. A partir de uma perda, de uma tragédia, de uma doença, podemos ter um olhar completamente diferente do passado e do futuro.

Entretanto, é difícil observarmos verdadeiras mudanças. Em geral, reconhecemos a verdade contida em algumas propostas de vida. Mas, daí a tornarmos isso realidade em nossa própria vida, é muito diferente.

Obviamente, se nosso discurso caminha na direção correta, talvez haja alguma possibilidade de um dia passarmos do discurso para a prática. Mas, como somos mestres em autoengano, muitas vezes nos satisfazemos apenas com o discurso “politicamente correto”, por assim dizer, e seguimos com o mesmo comportamento.

Vivemos num tempo em que se observa uma completa crise de autoridade, desde o ambiente doméstico até os mais diferentes ambientes institucionais. As pessoas não levam os policiais a sério, as leis “não pegam”, os filhos não obedecem a seus pais, os alunos não respeitam seus professores, as decisões do STF nem sempre são cumpridas… e assim por diante.

A Bíblia várias vezes relata ocasiões em que as pessoas se espantam com Jesus, dizendo que ele falava com autoridade. Ou seja, ele tinha uma vida absolutamente coerente com seu discurso ou um discurso absolutamente coerente com a vida que levava. Era isso que lhe dava autoridade! Essa não era a prática das autoridades religiosas do tempo de Jesus e talvez por isso ele causasse tanto espanto.

Será que como cristãos e como igreja de Jesus temos verdadeiramente sido coerentes? Nosso discurso dominical realmente se reflete em nossa vida cotidiana?

Estamos preocupados com o crescimento de nossas igrejas e, principalmente, em fazer discípulos para o mestre Jesus. Talvez o sucesso dessa empreitada esteja justamente na autoridade que temos ou não quando falamos de Jesus. Que tal meditar a respeito? Será que temos tido uma vida coerente com nosso discurso?

Presb. Eleni Rangel
Psicóloga, membro da 3ª IPI de Santo André, SP

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